2 Jogos depois de Lopetegui, o que (ainda não) mudou no Futebol Clube do Porto?



Depois do empate em casa diante do Rio Ave, o Futebol Clube do Porto decidiu colocar um ponto final na era Lopetegui.

A administração decidiu colocar, pela segunda vez, Rui Barros como timoneiro da equipa principal, enquanto não se solucionar de forma definitiva a questão da sucessão técnica.

A antiga glória do FCP deu continuidade à série 100% vitoriosa que iniciou na sua primeira liderança interina, em 2006, vencendo agora o duplo dérbi com o Boavista.

No primeiro - para o campeonato - obteve uma vitória de números esmagadores, mas no dos Quartos-de-Final da Taça de Portugal apenas um golaço “à Messi” por parte de Brahimi permitiu vencer um adversário, agora sim, “à Boavista”.

Mas o que fez com que os azuis e brancos quase fossem eliminados pelos axadrezados, poucos dias depois de terem goleado?

Obviamente que houve muito mérito dos comandados de Erwin Sanchez, que ainda por cima estavam desfalcados de jogadores como Afonso Figueiredo, Tengarrinha, entre outros. Não é fácil reabilitar o moral de uma equipa que tinha tantas complicações a priori. E isso foi conseguido pelo treinador boliviano.

Houve, paralelamente, algum demérito dos dragões.

Colectivamente, não conseguiram:

- impor-se ao Boavista mais do que em fogachos;
- manter uma fluidez de passe que permitisse controlar o jogo;
- contrariar a pressão intensa do adversário.

Individualmente, houve erros graves:

- Imbula: teve uma acção perigosa que colocou a sua equipa em inferioridade numérica;
- Indi: cometeu uma grande penalidade infantil;
- Helton: antes de defender a grande penalidade, quase oferecia um golo a Uchebo.

Além de tudo isto, apenas Brahimi teve uma produção individual de nível igual ou superior ao jogo anterior.

Mas afinal, o que ainda não mudou no pós-Lopetegui?

Comecemos pelo que mudou: muito pouco. Nem será humanamente possível a um treinador reformular todos os conceitos e movimentos colectivos em dias.

Mas Rui Barros conseguiu - directa ou indirectamente - trazer um renovado acreditar à equipa, ganhando dois jogos seguidos, o que não tem sido fácil para o FCP ultimamente.

Notou-se ainda que:

- a equipa é um pouco mais objectiva na procura da baliza adversária;
- os médios interiores já não se aproximam do trinco para iniciar a construção ofensiva;
- Brahimi aparece mais no meio, procurando não só a jogada individual mas também o último passe.

A nível individual:

- Herrera aparece agora mais adiantado, promovendo os melhores atributos que tem: capacidade de pressionar alto, imprevisibilidade no último passe e “entrada” na área – vindo de trás – para finalizar;
- Varela tem ganho tempo de jogo e, sobretudo por este último jogo, mostrou que – embora careça de treino específico e jogos - poderia ser uma alternativa a Maxi, neste ocaso da sua carreira de extremo.

Tudo o resto parece manter-se, sendo que individualmente se destacam como pontos negativos:

- os centrais continuam a não conseguir conter a impetuosidade e a falhar regularmente, sobretudo nas bolas paradas – o jogo aéreo até é, supostamente, a sua principal virtude;
- Maxi Pereira continua à procura da influência ofensiva que revelou na Luz;
- Layún, embora revele melhorias posicionais, continua a não fechar bem defensivamente;
- Aboubakar continua uma sombra de si mesmo, revelando não só pouca frieza na finalização como também dificuldade no domínio de bola.


No próximo jogo, em Guimarães, Rui Barros terá de lidar com todas estas questões, naquele que será um dos maiores testes à sua capacidade enquanto líder técnico!