O transplante do 4-4-2 losango



O Futebol Clube do Porto acabou ontem a sua presença na Taça da Liga 2015/2016, somando mais uma derrota e terminando em ultimo lugar na fase de grupos – sem conquistar qualquer ponto -, atrás de Marítimo, Famalicão e Feirense.

José Peseiro optou por criar um handicap, implementando o seu favorito 4-4-2 losango e dando à equipa uma alternativa ao sistema habitual. Dado que não era possível conquistar o apuramento, pareceu uma opção acertada.

Relativamente à constituição da equipa, houve algumas opções discutíveis:

- não ter dado a titularidade a Gudiño, sendo esta uma das melhores oportunidades para entrar sem pressão;
- Varela não parece ter características para a posição 10, quando muito poderia ser testado a interior ou lateral;
- não ter aproveitado para dar rodagem neste novo sistema a elementos do meio-campo e ataque como Herrera, Brahimi, Corona ou Aboubakar;
- se a ideia era poupar na totalidade os habituais titulares, seria de supor que oferecesse minutos a mais jovens da equipa B.

A exibição dos dragões foi, naturalmente, pautada pela desorganização e falta de entrosamento, no entanto é um bom ponto de partida para rotinar este sistema alternativo. De resto, sobressaíram os mesmos problemas de posicionamento, movimentação, intensidade e pressão que a equipa revela em 4-3-3.

Individualmente, destaque para a promissora actuação de Chidozie, um central nigeriano que na época passada evoluía nos juniores. Helton desta vez não salvou, mas também não falhou; Victor García e José Ángel a mesma qualidade de transição defesa-ataque, mas sem acerto no cruzamento; Maicon confirmou a insegurança que tem revelado, tendo sido batido em velocidade; Rúben Neves cometeu um penalti infantil, e nem os bons pormenores mascararam a desinspiração no passe e no remate; Imbula esteve regular a defender e atacar, mas sem brilho; Sérgio Oliveira teve bons pormenores e iniciativas de pressão, mas não manteve a regularidade; Varela ainda começou por sobressair nas acelerações com bola, mas acabou por ser engolido pelo meio-campo defensivo feirense; André Silva movimentou-se e definiu com qualidade, excepto na finalização; Suk voltou revelar instinto posicional, aparecendo nos sítios certos e acreditando nos lances até ao fim, mas foi - também ele - muito perdulário.

De notar que o treinador portista não fez qualquer substituição.

Veremos, nos próximos tempos, se este sistema pode ser uma alternativa válida no decorrer de alguns jogos ou mesmo de início…