A vitória do FCP no Clássico: ponto de viragem ou gota no oceano?



O Futebol Clube do Porto venceu, para surpresa de muitos, o Benfica no Estádio da Luz.

Mas afinal, qual a explicação para este resultado?


Abordagem inicial

A forma como o treinador dos “dragões” abordou a partida foi bastante positiva:

- Na constituição da equipa titular não “inventou”: ainda mais arriscado do que colocar um estreante na Liga – Chidozie – seria, num jogo contra um modelo de 2 avançados-centro, retirar o trinco Danilo Pereira;

- Danilo pôde, desse modo, manter-se como “tampão”, recuando para terceiro central sempre que necessário, em função da movimentação de Jonas;

- Layún e Maxi subiram no terreno apenas “pela certa”, perante a capacidade do adversário para atacar pelos flancos: Pizzi e, sobretudo, Gaitán tiveram pouca influência no jogo ofensivo das “águias”;

- O critério rigoroso do trinco e dos laterais deram a protecção necessária ao jovem central nigeriano, permitindo-lhe lidar bem com a pressão do jogo;

- O trabalho de pressão e cobertura de André André e Herrera foram impecáveis - sobretudo na segunda parte – emperrando a posse de bola do SLB e reagindo mais rapidamente à perda da bola do que os adversários;

- O desdobramento ofensivo da equipa foi criterioso e criou regularmente problemas à defensiva benfiquista, desenhando várias tabelas como a que resultou no segundo golo.


Atitude na segunda parte

Na segunda parte, a equipa saiu do balneário com um comportamento mais assertivo:

- Defensivamente manteve-se quase sempre sólida e difícil de penetrar;

- Ofensivamente “congelou” muito melhor o esférico, recorrendo a uma posse de bola bastante fluída e com intensidade variável, consoante a necessidade de cada situação.


Momentos-chave

Pode dizer-se que os dragões tiveram “sorte” nos momentos-chave do jogo:

- Obtenção do empate pouco tempo depois de ter sofrido um golo que parecia encaminhar os benfiquistas para uma vitória natural, quando o FCP nem estava a reagir de forma muito pressionante;

- Apesar da dificuldade em suster a pressão do SLB na primeira parte, conseguiu limitar os da casa a apenas um golo;

- Concretização do segundo golo numa altura em que o mesmo podia surgir para qualquer lado.


As figuras

Os jogadores que, numa perspectiva mais individual, estiveram em foco são:

Casillas – considerado pela maioria a figura do jogo, o espanhol não deixou de cometer um par de hesitações, mas “salvou” a equipa ao defender meia dúzia de “bolas de golo”, umas mais à figura, outras recorrendo aos seus reflexos;

Chidozie - na minha opinião, a melhor individualidade em campo, porventura influenciado pela surpresa que constituiu a atitude tranquila que exibiu e a forma como se impôs na estreia e num jogo desta envergadura. Tirando o posicionamento e imaturidade revelados no ataque ao lance do golo do Benfica, o jovem nigeriano esteve imperial nos duelos e na antecipação, demonstrando velocidade, boa técnica e simplicidade de processos. Apesar de não ter marcado nem evitado nenhum golo em cima de baliza , foi determinante.

Herrera – o seu golo – em que demonstrou o rasgo que apresenta a espaços – foi o ponto de viragem no jogo; até lá, e depois de um período equilibrado, o FCP pouco perigo criava. A sua sintonia - conforme anteriormente referido – com André André foi catalisadora da estratégia da equipa.

Corona – a grande desilusão. Depois de ter sido o elo mais fraco frente ao Arouca, deu continuidade ao mau momento, tendo pesado pouco no ataque e aliviando perigosamente uma bola que quase dava auto-golo: valeu Casillas. De positivo, o facto de ter impedido Eliseu de subir com regularidade.

Aboubakar – apesar de ter tido um par de perdidas, contribuiu para segurar a bola, participou nas combinações colectivas e teve movimentos com e sem bola que abriram espaços, funcionando como o 9 perfeito para abordar este jogo. Marcou o golo que sentenciou a partida.



Será esta vitória “à Porto” um sucesso isolado ou o ponto de viragem para o ataque final ao título?