O primeiro grande desaire de Peseiro



Após vários sinais positivos, com a maioria dos resultados a condizer, a equipa de José Peseiro sofreu o seu primeiro grande desaire.


O que se passou frente ao Arouca?


O treinador portista não contou com o central Marcano, fazendo alinhar Maicon ao lado de Martins Indi. Também Maxi Pereira estava castigado, sendo substituído por José Ángel, o que a implicou a passagem de Layún para o flanco direito da defesa.

Em suma, foram 3 as alterações defensivas. Aliás, 4, se tivermos em conta que Indi actuou sobre a esquerda do eixo defensivo, ao contrário do que tem sido habitual.

As opções Maicon e José Ángel parecem naturais, sobretudo o primeiro. Em relação ao segundo, havia ainda a possibilidade Victor García, que consistiria numa troca directa por Maxi e não obrigaria à deslocação de Layún.

Relativamente ao primeiro golo, tudo começou com uma desconcentração defensiva, resultante de um deficiente posicionamento e uma lenta capacidade de reacção.

No entanto, estes substitutos acabaram por ter influência directa na derrota dos dragões, tendo tido erros individuais no primeiro golo, sendo que Maicon falhou novamente e de forma superlativa no segundo golo.


A dinâmica portista

Depois do inacreditável golo sofrido nos primeiros segundos do jogo, a equipa estabilizou e parecia partir para uma noite tranquila, sustentada pela igualdade obtida cedo na primeira parte. Além disso, a equipa exibia-se ao nível do que tem feito desde a chegada de Peseiro, com sinais de melhoria a nível de pressão, intensidade de ataque e de posse de bola.

Porém, o colectivo portista não conseguiu reagir assertivamente às contrariedades do jogo: não validação do segundo golo a favor e erro de Maicon no segundo golo sofrido.


As substituições


Peseiro começou por tirar André André que, apesar de menos fulgurante, parecia melhor no jogo do que Herrera. Entrou Silvestre Varela, mantendo-se a insistência na posição de 10 “vagabundo”.

Posteriormente, o episódio insólito de Maicon forçou o treinador a mais uma alteração, fazendo entrar Rúben Neves.

Por fim, tirou Brahimi - que também parecia superior a Corona, falando de extremos - por Marega.

Na prática, pouco ou nenhum efeito tiveram os que entraram.


As ilações individuais

Casillas precisa de sair de forma mais assertiva nos cruzamentos e de melhorar o posicionamento.

O capitão Maicon, que até tinha como cartel a experiência e a garra em defesa do clube, é agora um caso disciplinar e, além disso, um central cada vez menos seguro.

Layún é a 2ª opção do treinador para lateral direito, não parecendo que este veja Victor García como aposta segura para o imediato.

Jose Ángel, que até dava sinais positivos nas oportunidades que teve – nas Taças -, parece confirmar a qualidade técnica, mas às persistentes dificuldades defensivas revela um regular desacerto no cruzamento.

Herrera parece mais indicado para "jogos grandes", em que é ainda mais importante pressionar alto e fazer uma transição defesa-ataque e ataque-defesa rápida.

Corona revela ainda alguma inconsistência, nem sempre "pegando"  na equipa quando ela necessita de intensidade criativa.

Aboubakar voltou a marcar regularmente, mas ainda se revela bastante perdulário, face às oportunidades de que dispõe.

Varela não parece fadado para ser "10", quando muito médio interior – nomeadamente num sistema em losango – e, porque não, lateral – revela uma boa capacidade de desarme e posicionamento, além de um razoável transporte de bola.

Marega ainda não se adaptou à equipa, revelando-se algo atabalhoado nas decisões, mas confirma-se como um aavançado ncisivo nas movimentações.


As ilações colectivas

O treinador portista ainda terá muito trabalho pela frente, sobretudo a nível de organização defensiva.

Além da falta de velocidade dos centrais, o posicionamento e a saída de bola dos mesmos são deficientes.

Ao nível do meio-campo, é onde se revela maior evolução: as movimentações sem bola, a pressão colectiva e intensidade na posse de bola. A capacidade de decisão, sobretudo o último passe é a maior "pecha".

No sector atacante, além de trabalhar a consistência de Corona, a objectividade de Brahimi e o entrosamento de Marega e Suk, há que melhorar os índices de confiança e eficácia de Aboubakar.



Veremos o que o Clássico trará de confirmação e/ou de evolução em relação a tudo isto.