O Benfica no Zenit(e)



Ao 5º Clássico, a 1ª vitória das águias

O Benfica venceu, no passado Sábado, o primeiro dos 5 Clássicos que já disputou nesta temporada.
Embora o saldo seja francamente negativo, o balanço da época “encarnada” é bastante positivo. Isto se tivermos em conta a pré-temporada conturbada, de planeamento criticável e com maus resultados a ilustrar más exibições.

Tudo começou com a saída polémica de Jorge Jesus do comando técnico da equipa, dando origem a um braço-de-ferro incendiado pela troca de “galhardetes” entre instituições, pelo processo ao antigo treinador e provocações deste para o seu substituto, provocações essas que se arrastam até aos dias de hoje.

Se uma certa rivalidade seria de esperar e até poderia “apimentar” o nosso campeonato, os exageros têm sido muito negativos para a imagem das instituições e da própria Liga Portuguesa. Esses exageros, pelo menos entre os técnicos, parecem ter-se virado mais contra Jorge Jesus, cujo estado de graça se esvaziou até ao ponto de perder uma larga vantagem para o rival, sendo mesmo ultrapassado por este. E consumou-se, dramaticamente, neste Sporting vs Benfica.


O mérito de Rui Vitória

O actual treinador do Benfica começou periclitante, com muitos jogos e pontos perdidos, e um futebol incaracterístico e pouco coeso.

No entanto, a equipa foi estabilizando e, após a visita ao União da Madeira, começou a construir uma senda vitoriosa apenas interrompida pelo FCP. Grande parte dessa senda foi conseguida com exibições convincentes e goleadas.

O futebol incaracterístico deu lugar a uma dinâmica de jogo muito inteligente, com momentos do Benfica de JJ – na vertigem e, sobretudo, nas combinações ofensivas -, mas com outros de gestão do ritmo do jogo e melhor organização ofensiva.

A capacidade em vencer um grande rival era a única dúvida que subsistia, ainda para mais por não o ter conseguido em casa frente ao FCP, quando o bom momento perdurava até então. Ao consegui-lo agora, o treinador e a equipa demonstraram paciência, crença no seu próprio trabalho, tranquilidade, capacidade de superação e, acima de tudo, espírito de união.


Rui Vitória encontrou o seu 11

Além dos conceitos de jogo e da gestão de balneário, o factor decisivo para a reviravolta na época benfiquista terá sido a estabilização de um modelo de jogo por parte do treinador, suportado nos jogadores que tem ao seu dispor:

- Ancorado em referências da época passada como Júlio César, Jardel, Samaris, Gaitán e Jonas;
- Apostando num primeiro momento em Nélson Semedo e Gonçalo Guedes, e num segundo momento em André Almeida – que parece mais confiante e completo – e Pizzi, numa posição híbrida – ala direito/médio interior direito;
- Estabilizando em Mitroglou como parceiro de Jonas – quando um está menos inspirado, aparece o outro;
- Transmitindo cultura táctica a Eliseu – hoje em dia só sobe no terreno “pela certa”;
- “Inventando” centrais face às contantes lesões com os titulares: Luisão em quase toda a época, Jardel e Lisandro Lopez – que entretanto se transformou num valor seguro – ocasionalmente; sendo Lindelof a mais recente revelação das águias: estes dois últimos mostram uma consistência inesperada;
- A aposta em Renato Sanches, um portento físico que impressiona ainda mais pela capacidade mental com que se tem vindo a impor, de forma regular, numa equipa com a pressão e a exigência do Benfica.


O mérito de Luís Filipe Vieira

O presidente LFV teve também um papel decisivo, resistindo à tentação de despedir o treinador a meio da época e confiando no trabalho do mesmo, que tinha uma herança pesada pelo bicampeonato que Jorge Jesus conseguiu para o SLB, o que há muito fugia aos encarnados.


O mérito de… Jorge Jesus

Ironicamente, o próprio actual treinador do Sporting tem um papel em tudo isto: primeiro, pelo trabalho desenvolvido nas últimas épocas, que ajudou a construir as bases de sucesso estrutural no Benfica, com as suas ideias e métodos; depois, por chamar a si todo o mérito pelo passado recente e até pelo presente benfiquista, JJ acabou por galvanizar e unir a equipa e Rui Vitória em torno do objectivo comum.

No fundo, também isto é mérito de RV e da sua equipa de trabalho, pela inteligência com que tiraram partido do clima adverso.


E é nesta conjuntura que o Benfica visita hoje a Rússia, no Zenit(e) da sua temporada!