É agora que deixamos de ser "anjinhos"?

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Depois de uma fase de grupos em que desiludiu os prognósticos habitualmente demasiado optimistas dos portugueses, a Selecção Nacional conseguiu - finalmente - dar um impulso às suas ambições para este Euro 2016.

Muito se tem falado das fracas exibições, e até da perda de identidade da equipa portuguesa. Mas, neste caso particular, parece-me que Fernando Santos está certo em adoptar esta estratégia mais resultadista, que tão bons resultados deu à Grécia, 12 anos atrás.

Para este jogo, Fernando Santos fez várias alterações:

- José Fonte, em substituição de Ricardo Carvalho;
- Cédric, em vez de Vieirinha;
- Raphael Guerreiro, substituindo Eliseu;
- Adrien, no lugar de João Moutinho.

Se no caso do primeiro, deverá ter-se tratado de algum desgaste físico de Carvalho, os restantes serão opções resultantes de exibições menos conseguidas dos antecessores.

Tirando as dúvidas Carvalho/Fonte e Danilo/William, apenas a titularidade de André Gomes como médio-ala parece afastar-nos do nosso melhor 11.

Há também a questão do avançado que acompanha Ronaldo.Se é verdade que Nani tem sido dos que revela melhor rendimento e Quaresma tem entrado de forma bestial, nem um nem outro parecem a melhor opção para a frente de ataque, pois nem são incisivos nas diagonais e no remate, nem "arrastam" marcações ou fazem tabelas de costas para a baliza, como CR7 necessita para explanar o seu melhor futebol.

O jogo, estatística à parte, não pendeu tanto para os croatas como querem fazer parecer, foi um jogo equilibrado - em domínio e oportunidades -, com um ligeiro ascendente para o nosso adversário.

Com mais solidariedade no trabalho defensivo, e inspirados num - desta vez - imperial Pepe, estivemos insuperáveis. Tivemos sorte, como também poderíamos ter beneficiado de uma grade penalidade.

Mas ganhámos! Um Quaresma, maduro e de instinto apurado, marcou o golo que já merecia pelos jogos anteriores. Aos 117'!

Voltando à questão estético-exibicional, acredito que o que o seleccionador tem feito é o mais correcto. Depois de anos a fio a deliciar os adeptos, mas a falhar - invariavelmente - contra os colossos e, sobretudo, os teoricamente acessível, está na hora de mudar o paradigma. De evoluir para um novo patamar de confiança! E depois, aí sim, tentar aliar competitividade ao entretenimento, para adeptos e jogadores.

Não esvaziar o crédito acumulado, como a Grécia ou fidelizar num modelo demasiado pragmático, como a Itália celebrizou. Criar o seu próprio estilo, completo e maduro, sem pressão ou bloqueios mentais!

A eliminatória ganha à Croácia marcou o começo de uma nova estratégia para Portugal. Veremos, a todos os níveis, como o capitalizamos para evoluir como Selecção e, por que não?, como país!