As opções de Rui Vitória


Depois da pesada derrota de ontem, em Nápoles, o treinador do Benfica foi visado pela crítica.
A escolha de Júlio César em vez de Ederson, de André Almeida em vez de Gonçalo Guedes e de Carrillo em vez de Salvio são uma crítica fácil, após más exibições desses titulares.

Além disso, o facto de Salvio e Guedes não só terem entrado bem na partida como sobretudo terem marcado os golos que reduziram a goleada napolitana a uma vitória tranquila.

Nem sempre concordo com o estilo (ao contrário do conteúdo) comunicacional preconizado por Vitória, mas a sua capacidade para manter a serenidade numa das derrotas mais pesadas da sua liderança benfiquista é assinalável.

Quanto às suas opções de ontem, talvez fosse mais adequado ter mantido o onze ou apenas deslocar Pizzi para o corredor central, mas a estratégia que se vislumbra do 11 escolhido faz todo o sentido.

Júlio César é ainda um grande guarda-redes, que muitos pontos tem salvo ao Benfica nestas 2 épocas, e tem experiência em jogar em Itália e num ambiente escaldante como o de San Paolo; André Almeida é um polivalente que costuma ser consistente sempre que é chamado (não havia Samaris nem Danilo, Celis seria de risco superior) e parecia boa ideia resguardar um André Horta ainda em crescimento de uma posição tacticamente tão nevrálgica, como 10 ganharia liberdade para construir, poderia fazer pressão na saída de bola adversária e sempre que Pizzi fechasse ao centro contribuir para uma superioridade numérica no miolo; já a exclusão de Salvio terá tido a ver com o menor fulgor da última jornada, sendo que Carrillo vinha dando boas indicações nas oportunidades que dispôs até então.

Parece-me, neste caso, que foi o desempenho individual da generalidade da equipa e o mérito de uma equipa que muita opinião pública julgava de qualidade inferior aos encarnados, a originar este desaire.