Começou a Liga NOS

O que os apaixonados pelo futebol português, os adeptos - mais ou menos fanáticos - de um clube ansiavam: está de volta o campeonato nacional!

Com apenas 5 jogos realizados até ao momento, apenas duas meias surpresas: o Feirense - a "sensação" da época passada e o Vitória de Setúbal deixaram-se empatar em casa, perante Tondela e Moreirense. Sobre estas equipas falarei mais adiante.

Começo, claro, pelo candidato ao título que já se estreou: o Sporting.

Os leões foram à Vila das Aves realizar uma exibição pragmática e vencer o Desportivo local por 2 golos sem resposta.

Tenho muita curiosidade sobre os avenses, que fizeram contratações "sonantes" em face do seu estatuto de recém-promovidos, sobre as quais falarei, igualmente, nas próximas semanas.

Voltando aos comandados de Jorge Jesus, o plantel para esta época foi montado de forma mais cirúrgica, procurando aumentar a qualidade nas laterais e centro da defesa, acautelar a saída de William Carvalho e/ou Adrien Silva e dar mais profundidade ao meio campo e ataque da equipa.

Em quase todos os casos, creio que as soluções foram boas:

- Salin, pelo que mostrou há poucas épocas, é uma boa alternativa a Rui Patrício;
- Fábio Coentrão acrescenta intensidade/qualidade ofensiva e garra na recuperação de bola;
- Mathieu traz experiência e velocidade para dificultar os adversários de explorar as costas da defesa;
- Battaglia e Bruno Fernandes acautelam a saída dos pilares William e/ou Adrien:
   - o argentino tem intensidade e verticalidade na condução ofensiva;
   - o português acrescenta cultura táctica e qualidade de passe e remate;
- Mattheus Oliveira tem características semelhantes a Bryan Ruiz, com potencial para o superar e cultura táctica para alinhar também como 8;
- Acuña parece-me um jogador muito vertical, solidário defensivamente e forte na definição, uma espécie de Bruno César em potência;
- Doumbia é um avançado com muita mobilidade, veloz e bastante eficaz que pode jogar à volta de Bas Dost ou com outro/sozinho quando JJ quiser adoptar uma postura mais de expectativa (Liga dos Campeões, por exemplo).


O próprio André Pinto é mais central para um "grande" em Portugal do que Douglas.

Piccini será a contratação que menos compreendo, tendo em conta o que custou vs a qualidade que (não) demonstrou na pré-época e mesmo na sua passagem pelo Bétis de Sevilha.

Entretanto foi contratado Ristovski, que - embora não conheça - me parece ter mais lógica, pelo historial evolutivo que tem protagonizado, mas - a priori - faria mais sentido como alternativa do que como primeira opção: veria um Diogo Figueiras como melhor solução para titular.

Além da questão do lateral direito, creio que o que falta a este plantel é uma alternativa a Gelson Martins - não há outro extremo destro, forte no cruzamento - e Bas Dost - Doumbia não tem as características de finalização aérea do holandês.
Quanto a saídas, considero normais as de Paulo Oliveira (pelo desejo de ser titular), Esgaio, Jefferson, Francisco Geraldes e Matheus Pereira (os três por empréstimo) e Castaignos. Rúben Semedo rendeu, pelo diferencial consistência vs valor de transferência, uma fantástica mais-valia.

Dos que ficaram e alinharam na pré-época, Azbe Jug, André Geraldes, Tobias Figueiredo e Petrovic não me parecem, pelo menos actualmente, com nível para o Sporting. Gauld talvez, mas não parece encaixar no futebol que Jorge Jesus idealiza.

Iuri Medeiros é o jogador mais subvalorizado pelo treinador: tem qualidade para actuar nas faixas e corredor central, no apoio ao ponta-de-lança, mas foi o preterido nesta primeira jornada. E a estrutura leonina terá rejeitado 12 milhões do Zenit pelo seu concurso!

O português é, para mim, um jogador com maturidade de jogo superior a Alan Ruiz.

Tudo somado, pela soma das partes, o clube de Alvalade parece claramente mais forte e próximo do nível do Benfica.

Veremos como se resolvem os folhetins ainda pendentes!


P.S.: A inclusão de Marvin Zeeglaar, Schelotto e Bryan Ruiz numa lista de dispensáveis parece-me um mau acto de gestão, pois desvaloriza os jogadores à medida que o tempo de indefinição se adensa.