A Matriz de Jogo do FCP



Dois jogos depois, é possível formular um padrão de jogo ao FCP. De facto, embora com resultados diferentes – vitória caseira sobre o Boavista e derrota em Leicester – é possível cristalizar o diagnóstico dos princípios de jogo desta equipa, até agora:

Garra e determinação vs baixa intensidade
A equipa revela, em boa parte dos 90 minutos, uma vontade de vencer superior ao que vinha sendo habitual nos últimos anos, pressionando na saída de bola do adversário e procurando a baliza com mais insistência; no entanto, não mantém essa atitude ao longo de todo o jogo.
Se contra os axadrezados, os leões e os dinamarqueses – por exemplo – a equipa baixou de intensidade quando regressou dos balneários; contra os vila-condenses e os ingleses – por exemplo – a equipa deu meia parte de avanço aos adversários, entrando no jogo com alguma passividade.

Posse de bola: quantidade vs velocidade
O ex-treinador, Julen Lopetegui, enraizou no FCP uma cultura de posse de bola exponencial. No entanto, além das zonas do terreno em que é predominante, é importante analisar a velocidade que se lhe imprime ou variação/aceleração do ritmo. E se a preocupação com a quantidade avassaladora deixou de existir, tem-se mantido a ritmo pouco intenso.

Posse de bola: fluidez
Uma das vertentes mais importantes do futebol é o passe. A qualidade de passe é a base – pelo menos - de qualquer equipa que pretenda dominar um jogo. Em ataque continuado, é fundamental que a posse seja “limpa”, procurando o jogador menos marcado e que a recepção seja precisa e, se possível, orientada. Contra o Leicester, os primeiros 45 minutos ficaram marcados pela dificuldade em trocar a bola, sendo este jogo apenas o exemplo mais flagrante das deficiências reveladas a este nível.

Jogo colectivo vs movimentação sem bola
Nota-se, nos jogadores, muito menos individualismo do que nos últimos anos. Eles procuram combinações ofensivas e os alas recuam e defendem de forma muito mais eficiente.
Todavia, só é possível ser-se objectivo nessas jogadas de envolvimento se os jogadores sem bola criarem linhas de passe através da sua movimentação, uns procurando-o de forma circular e outros o espaço para receber passes de ruptura. Essa rotina continua, como em anos anteriores, a não se verificar.

Creio que estas são as movimentações mais importantes a afinar em termos colectivos, importando depois particularizar para as individuais.

Abordarei esse tema em futuras crónicas.