Uma defesa em avaliação, um ataque com "excesso" de qualidade


O Benfica, versão 2017/18, parte com o objectivo de conquistar um inédito pentacampeonato!

Na baliza, para substituir um extraordinário Ederson Moraes, optou-se por fazer regressar Bruno Varela - fez uma época muito boa no Vitória FC e investir na promessa belga Svillar. Não conhecendo a qualidade do belga, parece-me uma aposta na senda das bem sucedidas Oblak e Ederson. Veremos se o belga começará - e "aceitará" jogar - pela equipa B, uma vez que a sua saída do Anderlecht teve a ver com as escassas hipóteses de ser titular. A competitividade entre dois jovens e dois veteranos - Júlio César e Paulo Lopes - será o mais difícil de gerir, razão pela qual imagino sempre um plantel com 3 guarda-redes de faixas etárias mais espaçadas entre si.

No eixo defensivo, deu-se a saída do melhor elemento individual, mas acredito que Luisão - e sobretudo Lisandro - faz uma melhor dupla com Jardel do que com Lindelof, uma vez que este último é mais veloz e tem maior propensão para descair para a esquerda. Kalaica é um "diamante" em bruto, como era o sueco, e Rúben Dias parece ter um estilo semelhante ao capitão benfiquista, pelo que o futuro parece assegurado. Em relação ao presente, a maior preocupação é a condição física de Jardel, até porque não há outro central com as suas características.

No lado direito da defesa, André Almeida tem dado conta do recado, mas ofensivamente não tem a mesma qualidade - transporte, cruzamento e remate - que Nélson Semedo. Pedro Pereira foi uma solução compreensível - jogador formado no clube e que vinha sendo titular e exibicionalmente consistente na Sampdória - mas não se adaptou rapidamente ao futebol da equipa de Rui Vitória. Já Mato Milos e Patrick foram contratações que, pela idade e qualidade evidenciada, só se compreendem pela possibilidade de posteriormente valorizá-los e transferi-los. Veremos se Douglas poderá aproximar-se do nível ofensivo do actual jogador do Barcelona, sendo que não o conseguiu de forma consistente desde que chegou ao futebol europeu. Recorde-se que o SLB tinha metade do passe de Bruno Gaspar, um lateral que se evidenciou nas últimas épocas no Vitória SC e se transferiu neste defeso para a Fiorentina.

Na lateral esquerda, esperava-se que Grimaldo assumisse o lugar e a razão de o considerar o melhor na sua posição, na Liga NOS, mas o seu calvário de lesões ainda não o permitiu. Eliseu tem feito uso do físico e da experiência para disfarçar as suas limitações técnico-tácticas, pelo que é uma solução fiável e a sua renovação contratual absolutamente natural. Não se sabe a verba envolvida na sua transferência para Guingamp, mas o regresso de Rebocho - também ele a fazer uma grande época no "campeão de Inverno" Moreirense - seria uma boa alternativa para o Benfica. Hermes foi uma contratação que só se compreende por se tratar de um jogador jovem a "custo zero". Fica a dúvida sobre se Marçal poderia ter sido melhor aproveitado desportivamente, depois da sua enorme evolução na Ligue 1 ter feito o Lyon pagar 4,5 milhões de euros ao clube da Luz.

No meio-campo defensivo, Fejsa continua a ser um elemento tão preponderante como propenso a lesões. Estranhamente, o Benfica não promoveu preparou uma "sombra" com as suas características: Samaris é um médio com menor sentido posicional e mais vocacionado para imprimir intensidade e agressividade ao meio-campo e Filipe Augusto (à semelhança do emprestado Cristante), quando utilizado a 6, funciona mais como um "regista" pela forma como se assume na construção ofensiva, através de passes teleguiados e remates colocados.

Na posição 8, pelo contrário, optou-se por contratar uma alternativa ao influente Pizzi: o eslovaco Chrien parece ter potencial, mas penso que era dispensável essa contratação - André Horta deu excelentes indicações na primeira volta da época anterior, tendo mesmo sido crucial no empate obtido no Estádio do Dragão. Há ainda Krovinovic, uma aquisição de enorme talento, mas falta perceber se o treinador pretende adaptá-lo a esta posição ou se conta com ele para fazer sombra a Jonas.

O brasileiro terá ainda a concorrência de Rafa Silva e da classe prematura de João Carvalho, além do do compatriota Gabriel Barbosa e até Jiménez. Parece-me que Rafa, principalmente, mas também o outro atleta português deveriam ser emprestados a um clube estrangeiro e nacional, respectivamente, de forma a manterem esperanças de ser convocados para as selecções nacionais - este ano há Mundial AA e apuramento para o Euro Sub-21.

Na ala-esquerda, além do já citado Rafa - pode jogar a partir dessa posição -, há o técnica e tacticamente dotado Franco Cervi, o promovido Diogo Gonçalves e ainda a nova contratação Willock. Não se percebeu a contratação de Salvador Agra, um velocista que não me parece ter margem de evolução técnica para poder vir a encaixar no Benfica. Eu ficaria com Cervi e faria de Diogo a alternativa, mas o extremo contratado ao Arsenal tem talento e características que se encaixam perfeitamente no futebol de RV.

No flanco oposto, difícil será escolher entre a intensidade e influência de Salvio - até poderia ter sido adaptado a lateral ofensivo, evitando o recrutamento de Douglas - e o portento técnico Zivkovic

Na frente de ataque, Seferovic está a sair melhor do que as boas expectativas que tinha: esperava que fosse funcionar como alternativa a Mitroglou. O grego foi a última "venda" do SLB no mercado, tendo sido a sua saída colmatada com o empréstimo de Gabigol. O brasileiro tem características completamente diferentes das do grego. Já o mexicano Jiménez mantém-se no plantel, podendo ser importante saído do banco, mormente na Liga NOS, mas sobretudo na Liga dos Campeões - pela sua velocidade e eficácia.

Relativamente a outros jogadores com contrato, achei positivas as soluções encontradas para Celis (Vitória SC), Mukhtar (Brondby), Victor Andrade (Estoril), Carrillo (Premier League), Candeias (Rangers), Jhon Murillo (Liga Turca), parecendo-me todas de encontro às características dos jogadores. O peruano e o venezuelano ainda terão margem para se afirmar no Benfica, futuramente.

Foi ainda importante a redução da massa salarial com as saídas definitivas de Fariña e Derley para o Desportivo das Aves, mas há outros casos, como César Martins e Óscar Benítez, que ainda se mantêm ligados ao clube, sem que se vislumbre potencial para integração futura.

Por fim, um jogador que não se conseguiu impor, mas teria qualidade para isso: Ola John. Continuo a achar o holandês um jogador subvalorizado, mas o problema é que o Benfica não conta com ele e não o conseguiu transferir. A Premier League ou a Ligue 1 têm equipas em que faria falta.