A bipolaridade de Layún

O FCP venceu em Brugge e - não necessariamente o melhor em campo, mas - a figura do jogo foi Miguel Layún.

Este jogo foi paradigmático da valia deste mexicano: irregular a defender, objectivo e decisivo a atacar. O golaço que marcou foi o expoente máximo disso mesmo, mas os cruzamentos, livres e demais assistências que lhe são habituais dão-lhe uma magnitude de regularidade. Por que não, pelo menos em jogos de Champions, utilizá-lo como ala?

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No mais, este foi um jogo estranho. Estranho na forma como o FC Porto continua a evidenciar irregularidade exibicional, não só entre jogos, como dentro de cada jogo.

Herrera é o jogador mais paradigmático disso mesmo, tão depressa criando desequilíbrios na aceleração e no drible, como perdendo o controlo da bola e falhando passes consecutivamente. Mas Óliver tem capacidade para dominar o meio campo e acaba "engolido" durante largos períodos pelo do adversário - a falta de intensidade explica muito relativamente a este facto.

A entrada portista no jogo não foi forte. A posse de bola era lenta, com fluidez no passe, e as movimentações previsíveis.

O Club Brugge pressionou, levou o jogo para uma dimensão mais física e, beneficiando de um duelo perdido por Layún contra Limbombe e de um ou dois ressaltos "felizes", marcou. A classe e cinismo futebolístico de Vossen foi, aliás, uma constante.

Depois o FCP aproximou linhas no meio campo e passou a dominá-lo territorialmente, mas não a controlar o jogo - as transições defesa-ataque dos belgas sucediam-se. Durante esse período, a "sorte" parecia sempre sorrir aos visitados: as pequenas faltas e os desvios dos remates eram-lhes maioritariamente favoráveis.

Após a hora de jogo, com a entrada de Brahimi e Corona - e respectiva mudança para 4-3-3 - os dragões começaram a superiorizar-se, aí sim, em todos os capítulos. O extremo mexicano foi, para mim, a chave deste jogo: não só causava desequilíbrios individuais - como no penalty que "cavou" para a vitória -, como arrastava marcações - Layún beneficiou disso no lance do empate.

Nota final para a frieza de André Silva na decisiva grande penalidade, ele que continua a crescer de jogo para jogo, pelo menos em maturidade.

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P.S. 1: Desta vez, Diogo Jota andou "perdido" no jogo: não foi assertivo na pressão e sempre que ganhava espaço procurava a jogada individual - decidia mal e/ou perdia, invariavelmente, a bola.

P.S. 2: Danilo Pereira é um colosso na recuperação, mas precisa corrigir alguns erros de posicionamento. Mais do que isso, precisa trabalhar intensivamente o passe: tem bom transporte de bola, mas endossa-a quase sempre de forma defeituosa.

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Classificações individuais

Casillas 6
Layún 7, Felipe 5, Marcano 6, Alex Telles 5
Danilo 5
Herrera 5 (André André 6), Óliver 5, Otávio 6 (Brahimi 5)
Diogo Jota 4 (Corona 7), André Silva 7