Escudos portugueses no Clássico


As balizas de FC Porto e SL Benfica terão dois estreantes em Clássicos: José Sá e Bruno Varela (ou Svillar).

A menos que Sérgio Conceição surpreenda enormemente, o português que passou pela formação das águias manter-se-á no 11 portista.

Do lado benfiquista, há mais dúvidas sobre o escolhido: perante a indisponibilidade de Júlio César, Bruno Varela começou por ser a aposta, mas o golo consentido no Bessa fez Rui Vitória relegá-lo para o banco; Svillar foi o beneficiado, pelo menos até à deslocação a Guimarães; uma alegada gripe pô-lo fora de combate até aos últimos dias, tendo RV recuperado Bruno Varela para as recepções ao Vitória Futebol Clube e para a visita ao terreno do CSKA de Moscovo.

Voltando a José Sá, foi com surpresa que o vi chegar a um clube “grande”. Vindo do Marítimo, onde raramente foi titular sénior, não me parecia um guarda-redes com algo de especial. Merecia, contudo, o benefício da dúvida pelo excelente Euro Sub-21 que protagonizou na excelente campanha portuguesa de 2015 – só terminou na final. A verdade é que foi subindo a pulso no FC Porto, sendo elogiado por aqueles que o acompanhavam de perto, em jogos e treinos. E foi exactamente essa ética de trabalho que o terá levado à titularidade nos azuis e brancos. A sua entrada na equipa deu-se aquando da visita ao reduto do Leipzig: o guarda-redes talvez pudesse ter feito mais num dos golos alemães. Desde então, o português tem vindo a crescer em confiança e consistência exibicional. A sua imagem excêntrica não condiz com a sua postura tranquila na baliza, mas o seu carácter aguerrido encaixa como uma luva nas preferências do seu treinador e adeptos.

Relativamente ao Benfica, acredito que o treinador irá manter – pelo menos para este jogo – Bruno Varela. Pelo menos é o que me parece mais aconselhável nesta altura, por ser actualmente um guardião mais experiente e menos imprevisível nas suas acções do que Svillar. O belga é, por esta altura, capaz do melhor e do pior: parece ter mais potencialidades do que Varela, porém o português transmite - no momento presente – mais segurança à sua defesa.
Os “porteiros” lusos parecem-me coincidentes em vários dos seus atributos: primam pela agilidade e concentração, sendo quase imbatíveis quando inspirados – sendo uma característica comum à maioria dos guarda-redes, estes revelaram no Euro 2015 Sub-21 e na época passada ao serviço dos sadinos, respectivamente, ser superlativos neste aspecto.

Não sendo um grande admirador do talento de ambos – sobretudo pelas saídas e jogo de pés -, não posso deixar de reconhecer-lhes qualidade e esperar que evoluam e possam ser importantes no futuro dos seus clubes e Selecção Nacional. O trampolim pode ser, precisamente, este Clássico!