Análise aos adversários de Braga, Porto e Sporting

Análise aos adversários de Braga, Porto e Sporting - Football Explorer


Marselha

Histórico emblema francês, por onde passaram alguns dos melhores jogadores gauleses de sempre, o Marselha está longe dos tempos de glória das décadas de 80 e 90. O clube foi mesmo o primeiro vencedor do actual formato da Liga dos Campeões, em 1992/93.

Muito bons jogadores têm passado pelo Olympique Marseille nas últimas épocas, mas só há duas épocas – comandados por Marcelo Bielsa – conseguiram lutar pelo título da Ligue 1. O Championat foge-lhes desde 2009/10. O treinador, Rudi García, depois de altos e baixos em Roma, tem trazido um pouco mais de consistência ao colectivo. O maior critério nas contratações parece estar a ajudar.

Mandanda regressou para trazer estabilidade à baliza. O eixo defensivo não é muito fiável, com Rami e Abdennour muito erráticos, o mais talentoso Dória continua sem se impor, sendo o português Rolando – embora sem o fulgor dos tempos de titular no FC Porto – o central com mais classe. Na lateral direita, o nipónico Sakai dá conta do recado. À esquerda, depois do processo disciplinar ao veterano Patrice Evra, o emprestado Amavi tem sido a primeira opção, sendo que Bedimo – que me parece o mais completo na posição - não foi inscrito na fase de grupos da Liga Europa.

No meio-campo, Anguissa e Luiz Gustavo desdobram-se em tarefas defensivas e ofensivas, com o camaronês em ascensão a juntar bom “jogo de cintura” à potência física e o brasileiro qualidade técnica e experiência ao futebol dos “blancs”. Há ainda alternativas de qualidade como Sanson ou o miúdo-maravilha Maxime López. Um pouco mais à frente, três desequilibradores a municiar o ataque: o argentino Ocampos e o francês Thauvin com diagonais e a figura, Dmitri Payet, com passes de rotura ou finalizações de meia-distância. Quando o treinador pretende explorar as “costas” da defesa adversária lança Clinton N’Jie.

Na frente de ataque, o nosso velho conhecido Mitroglou ainda não está com o poder de fogo dos tempos do Benfica, mas quer ele quer Valère Germain – que saiu a “preço de saldo” do Mónaco - “matam” um jogo a qualquer momento.

O rival Vitória SC enfrentou-os na fase de grupos da Liga Europa – vencendo em Guimarães e perdendo em Marselha, sendo que a conjugação de resultados teria apurado os vimaranenses se se tratasse de uma eliminatória -, pelo que, se conseguirem “ferir” os marselheses no Vélodrome, os bracarenses terão boas possibilidades em passar à fase seguinte.


Liverpool

Os Reds são um dos mais titulados clubes ingleses, com 18 troféus, mesmo não vencendo o campeonato desde 1989/90. Apesar desse “jejum” na Premier League, é um clube sempre a ter em conta nas provas europeias em particular e nos duelos em geral – que o diga José Mourinho, aquando das suas passagens pelo Chelsea, venceu e perdeu batalhas épicas contra este adversário. Rafa Benítez tornou-se um dos seus maiores homólogos rivais. O espanhol comandou mesmo a equipa à conquista da Liga dos Campeões de 2004/05, numa final épica contra o AC Milan, em que perdia por 3-0 ao intervalo.

Jurgen Klopp está, finalmente, a conseguir enraizar o futebol que havia implementado em Dortmund. A equipa ainda não defende com solidez, mas pressiona cada vez mais alto e ataca como um rolo compressor. O seu ataque, vertiginoso, é uma máquina de fazer golos!

Mignolet é o habitual titular, mas é daqueles guarda-redes capazes de grandes defesas , como “frangos” monumentais. No centro da defesa, Lovren parece o mais fiável, mas sem a companhia de Matip – actualmente lesionado – é algo vulnerável a ataques à profundidade. Na direita, Clyne tem sido preterido por Joe Gómez, mas o jovem não contribui muito para o processo ofensivo da equipa. No lado oposto, Alberto Moreno está finalmente a “pegar de estaca”, mas a sua acutilância não encaixa muito bem no futebol inglês.

 A gestão do sector intermédio tem sido tarefa quase exclusiva de Wijnaldum e Henderson. Estes médios são completos o suficiente para se desdobrar nos 4 momentos do processo de jogo, mas perante equipas mais fortes têm naturais dificuldades em filtrar todo o jogo ofensivo adversário. Quando Emre Can se lhes junta, o Liverpool torna-se muito mais compacto.

Na frente, quatro “Beatles”  numa mistura explosiva de velocidade e criatividade. Mohammed Salah – o melhor marcador até ao momento - é o expoente máximo dessa mescla, já não sendo apenas influente em contra-ataque.  Sadio Mané é talvez o mais desconcertante, rasgando defesas com objectividade. Firmino é o “falso” 9, movimentando-se por toda a frente de ataque, sendo cada vez mais eficaz na finalização. No entanto, é o 10 que costuma pegar na batuta desde a esquerda, Phillippe Coutinho, o craque, o estratega com criatividade e técnica de nível Mundial.

E no banco ainda há opções como o “raçudo” e especialista em grandes penalidades James Milner, o versátil e ambidestro Adam Lallana, Oxlade Chamberlain – mais um velocista, este proveniente do Arsenal –, Daniel Sturridge – fez uma dupla imparável com Luís Suárez, na última época do craque uruguaio em Inglaterra, em que por pouco não levaram o clube à vitória na Premiership  -,  ou Dominic Solanke – Bola de Ouro do último Mundial Sub-20, tendo ajudado a Inglaterra ao seu primeiro título na categoria.

Em Anfield Road, os azuis e brancos sentirão na pele um dos mais arrepiantes e hostis ambientes para se competir como visitante, pelo que o resultado da 1.ª mão – seria desejável uma vitória sem golos sofridos, pelo menos - , no Estádio do Dragão, será determinante para as hipóteses portistas de passar aos Quartos-de-final!


Astana

O Sporting terá a deslocação mais exigente do trio luso: não só pela longe e fatigante viagem até ao Cazaquistão, mas também pelas condições climáticas que os leões, previsivelmente, enfrentarão.

O FC Astana é um clube muito recente – fundado em 2009 - que tem construído o seu sucesso de forma sustentada. Recém-coroado tetracampeão nacional, só em 2011 e 2013 não venceu qualquer troféu interno. Já com uma participação na fase regular da Liga dos Campeões – há duas temporadas -, os amarelos ombrearam com Benfica, Atlético de Madrid e Galatasaray, tendo mantido a invencibilidade na Astana Arena e ficado a apenas um ponto de igualar os turcos no terceiro lugar.

Do confronto com os portugueses, apenas 4 dos 11 titulares já não fazem parte dos quadros do Astana, com destaque para o craque Nemanja Maksimović. O sérvio, actualmente no Valência, chegou na altura a ser veiculado pela Imprensa como potencial alvo dos encarnados e também do rival Sporting.

As principais figuras dos cazaques são o médio internacional húngaro László Kleinheisler – que a Selecção Nacional bem conhece, está actualmente lesionado – e os avançados Junior Cabananga e Patrick Twumasi. O ponta-de-lança congolês foi o goleador da equipa, com 19 golos, enquanto que os encarnados sentiram na pele os “estragos” de que o extremo ganês é capaz, tendo sofrido um golo à sua conta.

Sempre que enfrentam equipas mais fortes – como o Villarreal, na fase de grupos desta Liga Europa - os cazaques costumam estruturar-se num 5-4-1 com linhas recuadas mas que saem bem na pressão. Ofensivamente, é uma equipa “matreira” que costuma ser muito eficaz no aproveitamento da profundidade.

O piso sintético será uma dificuldade acrescida para os comandados de Jorge Jesus, que não esconde o desconforto sempre que os seus pupilos são forçados a competir neste tipo de superfície.