A bênção do Faraó


Em Novembro de 1922, o arqueólogo inglês Howard Carter descobriu o túmulo de Toutânkhamon, soberano da décima-oitava dinastia. Este faraó ficou famoso pela maldição que lançou sobre as pessoas que entraram na sua sepultura e pelos tesouros aí escondidos. Se a história do antigo Egipto acabou com a anexação ao Império Romano, é justamente por Roma que começa a epopeia daquele que promete ser um dos melhores jogadores egípcios de sempre.
A temporada passada da A.S. Roma foi marcada pelo fim da carreira de Francesco Totti e pelo despertar de Mohamed Salah, confirmando o potencial que o Basileia tinha detectado. Duas grandes épocas na Suíça valeram-lhe uma transferência para o Chelsea em 2014 onde foi difícil competir para um lugar no plantel, tendo em conta a qualidade dos seus concorrentes. Depois de um empréstimo à Fiorentina, foi novamente cedido, desta vez à Roma onde se afirmou como titular indiscutível com 34 golos em duas temporadas.
No último mês de Junho, Liverpool contratou Salah contra 42 milhões de euros para completar o seu ataque e prevenir-se da possível saída de Philippe Coutinho para o Barça. A aposta foi conseguida, o egípcio está a realizar até agora a melhor época da sua carreira, com 15 golos em 20 jogos, igualando também Harry Kane no primeiro lugar da tabela dos melhores marcadores da Premier League.
Salah tornou-se mais completo com a passagem pela Itália, de um jogador de bloco-equipa baixo para explorar o contra-ataque, utilizando demasiadas vezes a sua velocidade como único atributo, faltava-lhe lucidez nos momentos cruciais. Este ano, o egípcio modificou a sua forma de jogar, procurando mais vezes os espaços entre linhas continuando na mesma com verticalidade, mais incisivo e sobretudo mais decisivo, muito bom dos dois pés e talentoso no jogo aéreo.
O Egipto é a seleção africana com mais títulos continentais, no entanto os “Faraós” não vão ao Mundial desde 1990, a recente qualificação é claramente relacionada com as prestações de Mohamed Salah, melhor marcador da fase de apuramento da zona África para o Mundial. Se a maldição de Toutânkhamon inspirou muitas histórias, a confirmação de Salah desperta a esperança do povo egípcio para a Copa do Mundo 2018.