Balanço da 1ª volta da Liga NOS



Terminou a primeira volta da Liga NOS!


O Football Explorer fez uma análise ao que se passou até o momento no campeonato, refletindo sobre as premissas com que os 18 competidores partem para a segunda metade da principal prova do calendário futebolístico nacional.


OS CANDIDATOS AO TÍTULO


FC Porto


Os Dragões surpreenderam quase toda a gente ao mostrar-se tão autoritários, sobretudo por apenas terem contratado Vaná, um dos guardiões-revelação da época anterior - o ex-Feirense tem sido a 3.ª opção na hierarquia da baliza. Assim, o verdadeiro reforço tem sido Sérgio Conceição, um técnico pouco consensual, que fez bons trabalhos nos rivais minhotos, mas que só em Nantes foi verdadeiramente valorizado. Apesar disso, o equilíbrio anímico que tem demonstrado e a capacidade para se afirmar rapidamente num “grande” tem superado todas as expectativas. Começou por requalificar os recursos humanos que dantes não contavam, como Diego Reyes, Ricardo Pereira, Sérgio Oliveira, Moussa Marega ou Aboubakar; transmitindo-lhes confiança. Tratou de implementar uma matriz de jogo que tirasse partido das características dos jogadores, nomeadamente dos que poderiam elevar o nível de eficácia da equipa para patamares mais elevados, como Alex Telles, Danilo Pereira, Héctor Herrera ou Brahimi. Adoptou então, para esta competição, uma estrutura de 4-2-4, em que se privilegia o ataque rápido e o volume ofensivo, confiando na brutal resistência de Danilo e Herrera, bem como na sua capacidade de cobertura de uma vasta área do terreno e de desdobramento nos 4 momentos do jogo. Invictos e com apenas 3 empates - 2 deles em Alvalade e na recepção ao Benfica -, os azuis e brancos fazem da eficácia, não só na finalização, mas na maioria dos processos de jogo, a sua principal arma, e têm marcado a cadência desta liga. O reforço da equipa aparenta ser importante para evitar uma quebra na segunda volta, não só pelos castigos e lesões que têm vindo a enfrentar, mas sobretudo pela falta de consistência que alternativas - independentemente da sua qualidade - como Otávio, Hernâni ou Jesús Corona têm emprestado à equipa, o que poderá ser afectar o rendimento da equipa se Brahimi e/ou Marega estiverem indisponíveis. Além disso, a equipa conta com apenas 3 centrais - 2 deles em final de contrato - e 2 pontas-de-lança de raíz. Será suficiente para segurar a liderança até à meta?


Sporting CP


Os Leões investiram forte esta época, com reforços experientes como Mathieu, Fábio Coentrão ou Doumbia e sólidas promessas como Bruno Fernandes ou Marcos Acuña. A assertividade no “mercado” está a ser decisiva para a melhoria global do colectivo sportinguista, que manteve esteios como Rui Patrício, William Carvalho, Gelson Martins ou Bas Dost, e até a perda de Adrien Silva foi, pelo menos defensivamente, bem compensada com a contratação de Rodrigo Battaglia. Piccini e Ristovski resolveram, aparentemente de uma vez por todas, os problemas na lateral direita da defesa. Jorge Jesus abdicou de partir do 4-2-4 estrutural, pela qualidade que Bruno Fernandes deu quando foi lançado nas costas do ponta-de-lança, interpretando a posição de uma forma inteligente e tacticamente flexível. A  equipa passou a atacar - eventualmente menos, mas - melhor, porque defende melhor desde os seus desequilibradores ofensivos. Num registo igualmente invencível - apenas 4 empates, metade dos quais nos duelos directos -, a turma de Alvalade acompanhou de perto o FC Porto ao longo de toda a primeira volta, dominando a grande maioria dos jogos, com uma assinalável consistência táctica, contando com os seus principais jogadores em excelente registo de eficácia. O plantel dos verdes e brancos parece ser o mais vasto no binómio qualidade-equilíbrio, tendo um 11 tão ou mais forte do que os líderes e alternativas de qualidade - com diferentes características entre si - para quase todas as posições, numa mescla de experiência e juventude. Como se não bastasse, está a preparar contratações “cirúrgicas” que podem dar ainda mais soluções e elevar o nível, pelo menos, das alternativas aos titulares.


SL Benfica


Os tetracampeões nacionais perderam algumas figuras de proa, como Ederson, Lindelof, Nélson Semedo ou Mitroglou, não conseguindo uma reposição tranquila - quaisquer substitutos atingíveis teriam sempre capacidade inferior no curto prazo, mas o objectivo é diminuir ao máximo esse diferencial -, optando pelo regresso de Bruno Varela e a contratação do talentoso, mas imaturo Svillar, para a baliza; por não adquirir qualquer central; pelo lateral-direito Douglas, cedido pelo FC Barcelona e por recrutar Haris Seferovic ao Eintracht Frankfurt. Destas soluções encontradas, o 11 encarnado só não ficou a perder de sobremaneira no eixo defensivo, uma vez que Rúben Dias tem evoluído muito rapidamente e transformado o seu potencial em capacidade para desempenhos bastante elevados na actualidade. Não obstante, o Benfica continuou a dispor de alguns dos melhores executantes da Liga NOS, nas respectivas posições, como Grimaldo, Fejsa, Pizzi ou Jonas e muita profundidade de soluções ofensivas - além do “Pistolas” e do ponta-de-lança suiço ainda há Rafa, Cervi, Salvio, Zivkovic ou Jiménez, e a estes juntaram o talentoso Gabriel Barbosa e promoveram o “canterano” Diogo Gonçalves. Mas o verdadeiro reforço tem sido Krovinovic, um ex-Rio Ave, que nem sequer estava inscrito na Liga dos Campeões: depois de um início de época difícil, o croata tem feito crescer o futebol colectivo dos vermelhos e brancos, “obrigando” Rui Vitória a deixar cair o 4-4-2. O treinador, refém do melhor Pizzi - motor da equipa nos últimos anos -, teve de sacrificar Jonas ao “isolamento” na frente de ataque, para “ressuscitar” o meio-campo e, se me parece que a posição 9 não é a que tira melhor proveito das suas qualidades, não é menos verdade que a sua classe superlativa encontra “sempre” uma saída, embora se ressinta nos “jogos grandes”. Os principais problemas do conjunto lisboeta são o desequilíbrio de qualidade ofensiva comparativamente à defensiva, não só no 11 como principalmente na profundidade das alternativas; e, quiçá, a instabilidade originada pelo excesso de soluções para algumas posições - é por demais evidente a sobrelotação nos flancos -, tornando mais difícil a tarefa de manter todos motivados e comprometidos. Com a reestruturação que parece estar em marcha - contemplando cerca de 3 contratações e 8 saídas -, acredito que as Águias têm todas as condições para lutar pelo pentacampeonato, sendo os valores individuais e a confiança acumuladas ao longo das últimas 4 temporadas vantagens em relação aos seus rivais.


O “OUTSIDER”

SC Braga


Os Guerreiros do Minho investiram muito e bem no reforço da equipa, garantindo 3 dos melhores jogadores do Marítimo - Raúl Silva, Fransérgio e Dyego Souza -, 2 dispensáveis do Sporting - Esgaio e Jefferson -, o empréstimo dos miúdos-maravilha André Horta e João Carlos Teixeira - cedidos por Benfica e Porto, respectivamente -, entre outros. O central é um dos mais fortes tecnicamente, tendo trazido qualidade em construção desde trás, no remate de meia-distância e no jogo aéreo defensivo e ofensivo; os laterais qualidade no cruzamento e último passe; André Horta é fortíssimo na capacidade de ruptura em condução, João Carlos no controlo de jogo em posse e na criatividade de passe, Fransérgio é um médio completo - forte tacticamente e na colocação de bola a média/longa distância, quer no passe, quer no remate. A diversidade de soluções foi aproveitada por Abel Ferreira para implementar alguma rotatividade, um método de gestão que exige muito critério e que tanto permite manter todos motivados e “frescos” fisicamente, como arrisca alguma irregularidade exibicional: é o que tem pautado o Sporting de Braga desta época. A matriz de jogo em ataque rápido e habitual objectividade ofensiva levaram os arsenalistas a uma das melhores - se não mesmo a melhor - pontuações de sempre na primeira volta; situação a que não tem sido alheia a eficácia - a assistir e a finalizar - das habituais “armas secretas” Fábio Martins e Paulinho. Nos duelos com os 3 primeiros, apenas foi conseguido 1 ponto em 9 possíveis, o que revela ainda alguma falta de arcaboiço anímico para lutar pelo título, mas se o trabalho de melhoria do plantel e reposição das saídas se mantiver a este ritmo, há potencial para sonhar nas próximas épocas. Na actual parece-me ser importante a melhoria do processo defensivo, até porque os laterais/alas ex-Sporting têm fragilidades evidentes, Rosic não me parece confirmar o que dele se esperava e Ricardo Ferreira está, pela enésima vez, lesionado. Além disso, sem um trinco puro - Assis, estranhamente, não conta - a defesa fica várias vezes exposta, pelo que me pareceria que um esquema de 3 defesas - com a flexibilidade dos laterais/alas de que dispõe, podendo sempre que necessário fazer defesa a 5 - teria pernas para andar. Veremos se se confirma a contratação de 1 ou 2 centrais, que me parece importante.


LUTA PELA LIGA EUROPA

CS Marítimo


Os madeirenses conseguiram manter Daniel Ramos, a sua principal figura. O treinador faz do pragmatismo e solidez defensiva a principal arma deste Marítimo, que perdeu os esteios da defesa (Raúl Silva), meio-campo (Fransérgio) e ataque (Dyego Sousa), pelo que novo apuramento para a Liga Europa torná-lo-ia uma lenda no clube. Para os seus lugares foram contratados o antigo esteio do Nacional  Zainadine -, uma promessa e um ponta-de-lança ex-Sporting de Braga - João Gamboa e Rodrigo Pinho, respectivamente. Além do primeiro e do último, as grandes figuras da equipa têm sido o guardião Charles e o “renascido” RIcardo Valente, cujo potencial está finalmente a ser completamente explorado; quando está disponível, Erdem Sen é igualmente preponderante, com elasticidade táctica para fechar junto dos centrais e para servir de tampão às penetrações no último reduto. O 11 tem menor qualidade individual, mas a qualidade global do plantel e a organização colectiva não ficam nada a dever à época passada, pelo que o “milagre” volta a pairar no Funchal.


Rio Ave FC


Após a surpreendente saída de Luís Castro, após um excelente trabalho, o projecto sustentável de António Silva Campos apostou em Miguel Cardoso, um estreante como treinador principal, que exercia funções no Shakthar Donetsk. O português aprimorou a matriz de posse do seu antecessor, protagonizando um futebol atractivo - provavelmente o mais atractivo da Liga NOS. Tendo transferido os cruciais Roderick Miranda, Krovinovic e Gil Dias, além do final da cedência de Rafa Soares, os vila-condenses contrataram Marcão e Francisco Geraldes, além de garantirem o empréstimo de Yuri Ribeiro. O nível individual do 11 parecia ligeiramente inferior, mas a matriz de jogo assente na técnica, dinâmica sem bola e na fluidez da posse favoreceu o crescimento de jogadores como Yuri, Geraldes, Rúben Ribeiro, João Novais e até Marcelo ou Guedes, elevando o rendimento colectivo da equipa e o valor de mercado dos jogadores. Só falta solidificar os processos defensivos, que são mais complexos para esta forma de jogar, nomeadamente na saída de bola desde os centrais e guarda-redes - Cássio tem tido algumas dificuldades. Parecem-me necessários elementos para ambas as posições, se - e só se - possuírem atributos para a forma de jogar dos verdes e brancos.


Vitória SC


Os Conquistadores, finalistas da última edição da Taça de Portugal, perderam peças influentes como Bruno Gaspar e Josué, cujas reposições não foram felizes. Jubal não tem estado ao nível que já exibiu no Arouca e Victor García tem grandes fragilidades defensivas. Além destes, Konan não tem confirmado a sua afirmação e Paulo Henrique - o melhor central da equipa - tem estado frequentemente lesionado. As perda de Hernâni foi colmatada com a ascensão de Raphinha como talento eficaz, mas Heldon - que tem estado menos irregular - não “enche” a linha avançada como Marega. Não obstante, a manobra colectiva tem sido o principal problema dos comandados de Pedro Martins, que têm estado abaixo das expectativas. Dá a sensação que o crescimento colectivo se encontra estagnado, parecendo uma equipa só vocacionada para o contra-ataque, tendo muitas dificuldades sempre que tem de assumir o jogo. Pelo menos um central e laterais para cada flanco deveriam ser contratados, faltando ainda um 9 goleador ou, então, adoptar uma estrutura de 2 avançados - com os laterais actuais seria mesmo preferível o 3-5-2.


GD Chaves


O Desportivo de Chaves teve, na época passada, 2 épocas numa - a de Jorge Simão, com Paulinho, Assis e Battaglia, e a de Ricardo Soares, que apesar de se ver privado dos pilares da primeira volta, me pareceu ter conseguido manter “o barco” navegável. Não obstante, a contratação de Luís Castro fez todo o sentido, sendo um “filho” da terra e tendo feito evoluir o futebol do Rio Ave. Replicá-lo nos flavienses tem sido um trabalho aturado, mas tem dado frutos ultimamente, com a subida gradual na tabela. Apesar das saídas de Nélson Lenho, Braga e Rafa Lopes, entraram muitos jogadores de qualidade, como Domingos Duarte (cedido pelo Sporting), Maras, Paulinho (regressado, por empréstimo), Djavan, Felipe Melo, Matheus Pereira (também emprestado pelos Leões), Jorge Íntima ou Platiny. O Desportivo de Chaves tem um plantel equilibrado, mas fazia falta adquirir 2 ou 3 alternativas aos titulares no meio-campo. À grande qualidade na circulação, a equipa alia a habitual garra transmontana e conta com o génio de Davidson para desequilibrar. Se o Marítimo quebrar e o Rio Ave se não conseguir materializar a supremacia exibicional numa dinâmica de vitórias, o emblema de Trás-os-Montes pode perfeitamente chegar às competições europeias.


A PROCURA PELA ESTABILIDADE


Boavista FC


As Panteras têm dado a cada época passos curtos mas firmes na procura de voltar à glória do passado. Depois de uma “travessia no deserto” por escalões secundários e num contexto actual de austeridade financeira, tem havido um critério racional na escolha da maioria dos jogadores e treinadores. Perante a saída de Miguel Leal, que iniciou a época, pareceu-me boa a escolha de Jorge Simão. O actual técnico tem, como se esperava, acrescentado qualidade em contra-ataque e ataque rápido à solidez defensiva dos boavisteiros. Com figuras como Vagner, Fábio Espinho, David Simão ou Mateus, o emblema portuense está a voltar a ser um adversário “de respeito”, muito combativo e que equilibra qualquer duelo – esta época já venceram o Benfica – após dobrarem um resultado negativo, acompanhada de superioridade exibicional nesse período.
CD Tondela

Os comandados de Pepa estão a conseguir uma época tranquila, fazendo o que ainda não haviam conseguido desde a subida à Liga NOS: começar a temporada com a abordagem anímica que têm revelado na pontal final das últimas épocas, com a objectividade e agressividade táctica de quem luta pela manutenção como se da vida se tratasse. Os beirões têm uma defesa consistente: conseguiram surpreendentemente manter Cláudio Ramos - um guardião de nível superior -, ao crescimento de Osório somaram a experiência de Ricardo Costa, sendo as laterais bem preenchidas pelos - mais defesas que - laterais David Bruno e Joãozinho, cuja disponibilidade táctica e física são as suas maiores forças. No sector ofensivo, servidos pelo futebol de régua e esquadro de Pedro Nuno, Heliardo e, sobretudo Tomané - apesar de não serem goleadores - são como roedores a moer defesas; Miguel Cardoso é o mais habilidoso, Boyd e Wagner os velocistas, mas é Murilo que me enche as medidas: aos 21 anos tem não só poder de explosão como também drible, velocidade com bola e técnica de finalização para chegar a patamares muito superiores. Os tondelenses têm um dos planteis mais equilibrados em homogeneidade na Liga NOS, não tendo urgência de reforços.


CF Os Belenenses


Os Belenenses são uma equipa quase paradoxal aos tondelenses, tendo várias individualidades de grande qualidade, mas um plantel pouco homogéneo. Domingos Paciência, após algumas hesitações iniciais, começou a estabilizar o futebol dos azuis, muito à custa da afirmação de Nuno Tomás, da regularidade de Florent, da influência de Yebda e dos rasgos de André Sousa - o jogador mais culto a nível técnico-táctico - e Diogo Viana. A instabilidade directiva parece contagiar a equipa, e saídas - não se sabe se por decisão técnica ou directiva - como a de João Diogo, Miguel Rosa e até de Juanto são difíceis de compreender, como o é a rara titularidade de um talento como Chaby e de um goleador como Tiago Caeiro - mais forte do que Maurides como 9 fixo. Mais do que o reforço do plantel, o emblema da Cruz de Cristo precisa de criar uma estabilidade transversal a todo o clube, incluindo a afinação do 11 base, que ainda não parece ser o mais rentável.


Portimonense SC


Os algarvios são - com Chaves e Rio Ave - uma das equipas que mais prazer me dá em ver jogar. Num 4-3-3 versátil, os comandados de Vítor Oliveira apoiam-se na “técnica perfumada” dos brasileiros Dener, Ewerton, Fabrício e Paulinho - o jogador mais evoluído tecnicamente -, liderados pela “inteligência técnica” de Nakajima. Na defesa, com laterais incompletos e Jadson lesionado até há pouco, apenas Rúben Fernandes e o guarda-redes Ricardo Ferreira são indiscutíveis. Tal como o Rio Ave, os alvinegros precisam de melhorar muito no sector mais recuado e de ser mais calculistas no controlo do resultado. Se não perderem mais que uma das suas figuras e se reforçarem no sector defensivo e com um ponta-de-lança de raíz, acredito que podem garantir rapidamente a manutenção.


CD Feirense


Os Fogaceiros são - à imagem do seu treinador - o paradigma de uma equipa competitiva, fazendo valer a dimensão táctica e física do seu meio-campo para equilibrar (quase) todas as partidas que disputa. Vaná, um dos principais obreiros da sensacional campanha da temporada anterior, saiu para o FC Porto, mas - à excepção de Vítor Bruno e Platiny, as outras figuras principais mantiveram-se. A irregularidade de rendimento parece-me mais ligada ao menor fulgor individual de alguns jogadores mais utilizados, sendo que uma estrutura em 4-4-2 me parecia mais ajustada às características do plantel. Caio Secco, Flávio Ramos, Tiago Silva e Etebo são elementos-chave que podem elevar o desempenho colectivo para patamares mais próximos da época passada: se nenhum destes sair e, se possível, fossem contratados um trinco - para competir com Cris - e um ponta-de-lança - João Silva não é goleador e não me parece ligar bem com a matriz de jogo preconizada por Nuno Manta - os feirenses deverão evitar ver-se na luta pela manutenção.


LUTA PELA MANUTENÇÃO


FC Paços de Ferreira


Os Castores entraram para esta época com Vasco Seabra no comando técnico, sem perder jogadores influentes, pelo menos por opção própria. Estranho as saídas de jogadores como Gegé ou Christian, embora o primeiro terá resultado de questões financeiras, tratando-se do central mais rápido e eficaz do plantel da época passada. No entanto, as contratações de Rui Correia, André Leão, Xavier, Mabil ou Bruno Moreira dotaram a equipa de mais soluções. Com figuras como Pedrinho e - sobretudo - Welthon, os pacenses tiveram um rendimento claramente abaixo do seu potencial, facto a que não será alheia a onda de lesões que afectou muitos dos seus jogadores - Welthon foi um deles -, especialmente defensores - quase toda a primeira volta foram adaptados jogadores à lateral esquerda, por exemplo. A estrutura - preferida de Seabra e, depois, Petit - de 4-3-3 também não parece favorecer as características dos seus melhores talentos. Neste defeso, parece-me mais importante resolver a questão táctica e acautelar novas “pragas” de lesões do que propriamente reforçar o plantel, a menos que surjam saídas e/ou grandes oportunidades de negócio.


Moreirense FC


Os “Campeões de Inverno” da temporada passada, em que já haviam perdido artífices da vitória na Taça da Liga - como Cauê, Francisco Geraldes ou Daniel Podence-, começaram 2017/18 com perdas importantes como os esquerdinos Rebocho - um dos mais promissores  laterais canhotos portugueses -, Nildo Petrolina e Jander, além do explosivo artilheiro Boateng. Sem contar com o guarda-redes revelação Makaridze, os cónegos tiveram critério na reposição das saídas, com as aquisições de Rúben Lima, Alfa Semedo, Tozé ou Arsénio. Se na posição 9 Peña ainda não confirmou o potencial que a espaços demonstrou - Edno pode ser uma boa solução para render desde já, a qualidade individual até subiu em sectores como o eixo defensivo ou a lateral-direita, com a contratação de Aberhoun ou Koffi Kouao, sendo também muito interessante a aposta em Boubacar ou Rafael Costa. Manuel Machado não conseguiu replicar o sucesso do passado - no Nacional e até no próprio Moreira -, mas Sérgio Vieira conseguiu melhorar alguns processos colectivos. Com o regresso do desconcertante Dramé e a contratação de um central, um lateral-esquerdo e um extremo esquerdino, acredito que a equipa ficaria muito bem apetrechada para garantir a permanência.


CD Aves


O Desportivo das Aves fez um brutal investimento para esta época, recrutando jogadores experimentados como Adriano Facchini, Pedrinho, Carlos Ponck, Nélson Lenho, Gonçalo Santos, Washington, Nildo Petrolina, Vítor Gomes, Paulo Machado, Braga, Sami, Salvador Agra, Amilton ou Derley. A estes e à vasta experiência de Quim - que já contava dos quadros-, juntou ainda promessas como Mama Baldé, Ryan Gauld ou Cristián Arango, sendo que praticamente não perdeu jogadores influentes da época anterior. De repente, os avenses formaram um plantel ao nível de uma equipa que luta pela Liga Europa mas, naturalmente, teria de ser implementada uma identidade e criados automatismos a todo um grupo de trabalho. Creio que a rescisão com o treinador escolhido no início da época - Ricardo Soares - teve muito que ver com a gestão das elevadas expectativas, parecendo o pragmático Lito Vidigal um técnico com perfil mais adequado aos objectivos de curto-prazo do emblema de Vila das Aves. Cimentar o processos de jogo - principalmente o defensivo - parece mais importante do que uma incursão no mercado - a menos que surja a possibilidade de adquirir um central de qualidade superior. Se no final da época se conseguir manter no escalão máximo em Portugal e, consequentemente, manter a espinha dorsal da equipa, perspectiva-se um novo candidato ao apuramento europeu, na próxima temporada.


GD Estoril-Praia


O Estoril iniciou a época com Pedro Emanuel ao comando - ele que havia feito um trabalho muito meritório ao acrescentar, à garra que o caracteriza, a preconização de um futebol atractivo e dinâmico -, e desde cedo teve dificuldades em impor o seu futebol, como em 2016/17. A saída de quase todos os centrais - Basso, João Afonso, Diakhité e Dankler -, e figuras de proa como Ailton, Anderson Esiti, Diogo Amado, Matheus Oliveira, Licá, Carlinhos ou Tocantins. Foi um desvaste de quase todo o 11 e as melhores alternativas da época passada, pelo que é natural que se tenha reflectido de sobremaneira no desempenho colectivo e, por conseguinte, na pontuação. Houve, contudo, recrutamento de qualidade; empréstimos de promessas como Fernando Fonseca, Lucão, Abner, Pedro Rodrigues, Victor Andrade, Aylton Boa Morte e - principalmente - Lucas Evangelista - um dos médios mais completos deste campeonato, com excelente qualidade técnica, cultura táctica com selo da Serie A e, grande dimensão física e boa capacidade na meia distância. Com Moreira e Kléber a transmitir confiança aos que os rodeiam, e Bruno Gomes estranhamente pouco utilizado, a equipa revela fragilidades defensivas, que me parecem mais individuais do que organizacionais. Assim, e até pela propensão a lesões que os melhores centrais têm sentido, parece-me fundamental o ingresso de 1 ou 2 centrais e de um - mais que lateral - defesa-esquerdo, além de 1 médio de características semelhantes a Evangelista ou Eduardo Teixeira, os verdadeiros motores desta equipa. Caso contrário, arriscamo-nos a ver o muito habilidoso grupo da Linha a cair na Ledman Liga Pro. Acredito que o talento afirmar-se-à, beneficiando das boas ideias de jogo de Ivo Vieira, um treinador cujos bons trabalhos nem sempre foram valorizados.


Vitória FC


O Vitória de Setúbal é, ex-aequo com o clube de Cascais, o lanterna-vermelha desta competição. A turma do Sado ficou refém de esteios defensivos como Bruno Varela, Frederico Venâncio, Fábio Cardoso e Fábio Pacheco, mas reforçou-se bem com o redes Cristiano e ainda Patrick Vieira, José Semedo ou Tomás Podstawski. Investiu ainda no relançamento de Yannick Djaló e Gonçalo Paciência - em diferentes estádios de maturação, mas ambos com mais potencial do que rendimento, nas últimas épocas. Supriu - igualmente muito bem - a perda de João Carvalho com João Teixeira e a de Mikel Agu com Adebanjo - não obstante a diferença de potencial -, mas as perdas de Gauld, Gauld, Zé Manuel, Nuno Santos e André Claro têm sido difíceis de colmatar. A dupla - têm tudo para “voos mais altos” - João Amaral e Gonçalo Paciência tem sido o abono de família, mas que não chega para todas as frentes - o campeonato tem sido a prova com pior rendimento. Para que consigam ser competitivos na luta pela manutenção, os sadinos necessitam de - pelo menos - 1 ou 2 criativos e/ou desequilibradores. Mas, acima de tudo, os comandados pela “raposa” José Couceiro precisam de recuperar a estabilidade directiva há muito perdida. Será pedir demasiado?