Que dinâmica para o Benfica sem Krovi?

Krovinovic lesionou-se com gravidade no último jogo do Benfica. O croata era, unanimemente, a figura do novo ciclo dos encarnados nesta época, gerando natural apreensão na equipa técnica e massa adepta do clube.

O criativo ex-Rio Ave "pegou de estaca" pela sua capacidade de ligar o futebol benfiquista, criando desequilíbrios em progressão, algo que Pizzi vinha fazendo nas últimas épocas. Com a época menos fulgurante do português, o 20 revigorou não só futebol ofensivo, mas também proporcionou uma melhor ocupação defensiva dos espaços - até pela sua "casa de partida" na estrutura estar a ser mais a 8 do que a 10.

Sem Krovi, o técnico das Águias terá duas soluções mais óbvias: regressar ao 4-4-2 - acrescentando Jiménez ou Seferovic a Jonas - ou manter a mecanização mais recente, fazendo entrar João Carvalho - o jogador do plantel com características mais parecidas ao croata.

Na minha opinião, estamos perante uma situação em que "é no meio que está a virtude", podendo Rui Vitória olhar para o problema por outro ponto de vista: quais os 12 a 14 jogadores que poderão constituir a espinha dorsal desta última metade do campeonato?

Sendo, no contexto actual, pacífica a titularidade de Bruno Varela, André Almeida, Rúben Dias, Jardel - ou Luisão -, Grimaldo, Fejsa, Pizzi, Salvio, Cervi e Jonas, parece-me menos óbvio o posicionamento estrutural de Jonas. O brasileiro parecia estar talhado para 9,5 em torno de um ponta-de-lança mais fixo ou ao lado de outro mais móvel, mas a sua classe sobrepôs-se à táctica e o seu rendimento não se ressentiu. A verdade é que o Benfica ainda não enfrentou um adversário com bloco baixo compacto desde esta mudança de sistema, que tanto equilibra mais a própria equipa como desequilibra menos a contrária.

Poderia, portanto, ser pertinente uma reflexão da equipa técnica sobre as seguintes possibilidades:

- A utilização de Salvio como lateral ou interior direito;
- Se o argentino alinhar como LD, André Almeida poder funcionar como 8 de "equilíbrios" defensivos;
- Com o recuo de Salvio, Cervi começar a partir da ala direita e Pizzi "esconder-se" no flanco esquerdo;
- Jonas variar entre 9 e 9,5 - dependendo das exigências de cada jogo -;
- Jiménez ou Seferovic e João Carvalho serem os elementos variáveis de jogo para jogo.

Trata-se de uma sistematização que poderia conferir ainda mais dinâmica e imprevisibilidade ao jogo do Benfica, causando desde logo incerteza na abordagem dos adversários ao jogo, nomeadamente ao nível da organização defensiva. De certo modo, na linha do que Sérgio Conceição tem feito no FC Porto.